Medicina Tradicional Chinesa



A Medicina Tradicional Chinesa constitui um vasto corpo de conhecimentos acumulados ao longo de mais de cinco mil anos de História por milhões de médicos, tratando biliões de doentes. Hoje em dia, na China, os médicos da Medicina Tradicional Chinesa exercem a sua actividade, em igualdade com os médicos da Medicina Ocidental, em hospitais específicos.

A teoria da Medicina Tradicional Chinesa baseia-se nos princípios bioenergéticos da saúde e da integração e relacionamento do Ser Humano com o Universo. Um dos seus aspectos mais relevantes reside na importância que é atribuída à compreensão holística e à interacção entre corpo e mente e entre a pessoa e o ambiente que a rodeia. O objectivo é produzir a harmonia e o equilíbrio entre as energias Yin e Yang do corpo, da mente e do espírito. Procura-se alcançar, de forma natural e sem efeitos secundários, um corpo são e o equilíbrio mental e emocional, o aumento da energia vital e melhor qualidade de vida e longevidade.

A Acupunctura é uma das técnicas mais utilizadas em Medicina Tradicional Chinesa, e consiste na inserção e manipulação de finas agulhas esterilizadas, em pontos específicos do corpo, com o propósito de regularizar o fluxo do Qi. O Qi, governado pelo Yin e pelo Yang, flui pelo corpo como uma corrente energética, ao longo de canais ou meridianos. Os pontos de Acupunctura são locais específicos, ao longo desses meridianos, onde o Qi ou a energia pode ser manipulada, tonificando-a, se estiver em deficiência; dispersando-a, se estiver em excesso; ou desbloqueando-a, se estiver bloqueada. O Yin e o Yang coexistem num processo de oposição e de interdependência que os liga de forma indissociável. O Yin é a substância material, e o Yang a função vital; o primeiro é a base do segundo e este a força motora do primeiro. A prática da Medicina Tradicional Chinesa inclui um sistema complexo de técnicas de diagnóstico, que relaciona os sintomas apresentados pelo doente com o Todo que este constitui. Assim, torna-se possível, para o terapeuta, reconhecer os sinais que indicam os desequilíbrios no fluxo energético, o que lhe permite seleccionar a terapêutica mais adequada para resolver cada situação.

Os resultados que se obtiveram pela investigação efectuada no campo da neurofisiologia, nos últimos 30 anos, vieram demonstrar que a Acupunctura funciona através do sistema nervoso central e periférico, afectando vários neurotransmissores, incluindo beta-endorfinas, assim como a libertação de hormonas adrenocorticotróficas (ACTH) e prostaglandinas. A Acupunctura fortalece o organismo, previne as doenças e controla a dor, não se limitando apenas a aliviar ou a eliminar sintomas. O objectivo do terapeuta de MTC é determinar o factor causal das doenças e eliminá-lo, de modo a alcançar novamente o equilíbrio bioenergético e a saúde

A Acupunctura é inultrapassável na redução da dor, do stress, da doença e da tensão. É também eficaz no tratamento de problemas emocionais e psicológicos. É reconhecida e aconselhada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), desde 1979, no tratamento de várias doenças, das quais se destacam: artrite, artrose, ciática, lombalgias, reumatismo, asma, alergias, bronquite, rinite, sinusite, colite, obstipação, cefaleias (dores de cabeça e enxaquecas), insónias, síndroma pré-menstrual, dismenorreia, dependência do tabaco, do álcool e de drogas, gastrite, paralisias pós-enfarte e síndroma cervicobraquial e outras.

Os fundamentos da teoria da Medicina Tradicional Chinesa

Os fundamentos da teoria da Medicina Tradicional Chinesa assentam no conceito do Qi (lê-se Chi). O Qi é a energia que o nosso corpo necessita para poder “funcionar” e que alimenta todo o nosso organismo. Quando o Qi flui de forma forte e equilibrada, o corpo é saudável e é capaz de se auto-regular. Quando o Qi enfraquece, ou fica desequilibrado, surge a dor, a doença, o stress e o envelhecimento prematuro. A Medicina Tradicional Chinesa procura solucionar todos estes desequilíbrios recorrendo a várias técnicas e tratamentos específicos, dos quais se distinguem a Acupunctura e a Moxabustão (aplicação de calor em pontos específicos), a Fitoterapia Tradicional Chinesa (fórmulas de plantas medicinais), o Tuina (massagem chinesa terapêutica) a Dietética Energética (aconselhamento nutricional de acordo com os princípios da Medicina Tradicional Chinesa) e o Qi Gong (lê-se Chi Kung; exercícios energéticos que fortalecem a energia vital do ser humano, através da coordenação e da harmonia entre o movimento, a respiração e a atitude mental do praticante).

Frequencia dos tratamentos

O número e a duração dos tratamentos variam de acordo com a condição da pessoa e com a sua história clínica. Alguns problemas poderão começar a melhorar logo após o primeiro tratamento. Outros, como por exemplo as dores crónicas, necessitam, habitualmente, de vários tratamentos. No entanto, a Medicina Tradicional Chinesa consegue obter resultados francamente animadores, o que justifica plenamente a popularidade crescente que hoje possui em todo o mundo.


Fitoterapia Tradicional Chinesa

A Fitoterapia Tradicional Chinesa envolve a prescrição de fórmulas de ervas chinesas, seguindo a avaliação de um herbalista qualificado. Todas estas fórmulas são preparadas de acordo com práticas de produção de elevada qualidade, e testadas em laboratórios na União Europeia segundo um rigoroso controlo de qualidade. Desta forma, é assegurada não só uma cuidadosa identificação botânica, mas também uma composição química estável e livre de contaminação por bactérias, fungos e resíduos agrícolas. O uso de fórmulas herbáceas faz parte do sistema público de saúde existente em muitos países orientais. A sua prática envolve a avaliação não só dos sintomas apresentados pelo paciente, mas também do padrão energético de desarmonia. Investigações recentes, efectuadas quer no Oriente quer no Ocidente, permitiram avaliar a eficácia destas práticas e aumentar o âmbito da sua aplicação. Quando administradas adequadamente, as fórmulas fitoterapêuticas chinesas são notáveis pela segurança e ausência de efeitos secundários. São particularmente úteis em doenças crónicas que requerem tratamento prolongado e que necessitam de terapia bem tolerada.